Você já parou para observar como alguns homens parecem ter uma habilidade quase mágica de atrair mulheres apenas para transformá-las em muletas para sua própria inércia?
Este é o Homem Rapunzel. Mas não se engane com a imagem poética. Na vida real, ele não está preso em uma torre de pedra ele está trancado dentro de uma preguiça existencial profunda, jogando suas tranças de vitimização para que uma mulher suba, limpe sua bagunça, pague suas contas e cure suas feridas de infância.
Ele não quer uma parceira. Ele quer uma salvadora.
O Homem Rapunzel é um mestre na arte de parecer "potencial não lapidado". Ele convence a mulher de que, se ela investir apenas mais um pouco de tempo, dinheiro ou paciência, ele finalmente florescerá.
"Eu só não dou certo porque o mundo é cruel comigo."
"Minha ex me destruiu, só você me entende."
"Eu tenho grandes projetos, só me falta o apoio certo."
Com essas frases, ele ativa o instinto de cuidado da parceira. Ele a faz acreditar que ela é a única pessoa no universo capaz de "consertá-lo". E, enquanto ela está ocupada carregando o mundo dele nas costas, ele permanece confortavelmente imóvel. Ele não cresce porque o conforto de ser cuidado é maior do que a dignidade de ser independente.
O problema central dessa síndrome é que ela drena a vida da mulher. Enquanto ela está focada em "salvar" o homem, ela para de viver a própria vida. Ela se torna a agenda dele, o banco dele, o escudo dele contra as consequências da realidade.
O Homem Rapunzel não quer que você o ajude a descer da torre. Ele quer que você se mude para a torre com ele, traga o jantar e ainda peça desculpas por ele não ter apetite. Ele usa a própria vulnerabilidade como uma arma de manipulação. Se ela tenta sair, ele desmorona. Se ela exige responsabilidade, ele se faz de vítima.
Muitos desses homens justificam sua dependência dizendo que buscam um "amor incondicional". Mas vamos ser francos aqui amor incondicional é o que uma mãe tem por um filho entre um casal, o amor é recíproco.
Existe uma armadilha silenciosa e sedutora na qual muitas mulheres caem a crença de que o seu amor é uma força curativa capaz de transformar um homem quebrado em um homem inteiro.
Nessa dinâmica, você não é uma parceira você é uma curadora. Você olha para o "Homem Rapunzel" aquele que vive encastelado em suas desculpas, em seu desemprego crônico, em seus traumas passados ou em sua incapacidade de lidar com a vida adulta e pensa: "Comigo será diferente. Eu vou mostrar para ele o que é ser amado e ele finalmente vai despertar."
Sinto lhe dizer, mas você não está despertando um gigante. Você está alimentando um parasita.
O Homem Rapunzel sobrevive porque você subiu a torre. Ele joga as tranças da vitimização e você, com toda a sua generosidade, escala. O problema é que, uma vez que você chega lá em cima, ele faz com que você se sinta responsável pela felicidade dele.
Se você para de pagar a conta, você é "insensível". Se você exige que ele procure um emprego, você está "pressionando-o demais". Se você pede maturidade, ele lembra de como a infância dele foi difícil. Ele usa a sua empatia como uma algema. Ele sabe que você tem um coração bom, e é exatamente nesse coração que ele instala a residência dele, sem pagar aluguel.
Pare de ouvir o que ele diz e comece a olhar para o que ele faz. Se você identificar três ou mais desses sinais, você não está em um relacionamento você está em um centro de reabilitação não remunerado:
A Vida Dele é um Eterno "Quase":
Ele quase conseguiu o emprego, quase terminou o projeto, quase mudou de atitude. E o motivo do fracasso é sempre externo (o chefe, a economia, a ex, o destino).
Você é a Secretária Executiva da Vida Dele:
Você marca os médicos dele, lembra-o das contas, resolve os conflitos familiares dele e limpa a bagunça que ele deixa para trás, física e emocionalmente.
O "Pedágio" Emocional:
Toda vez que você conquista algo ou está feliz, ele tem uma crise ou um problema que exige que você volte toda a atenção para ele. Ele não suporta o seu brilho porque ele precisa da sua sombra para se esconder.
A Promessa do Futuro Radiante:
Ele vive de promessas. "Ano que vem vai ser diferente", "Quando eu me sentir melhor, eu faço". Ele vende um futuro para manter você presa a um presente miserável.
Por que Você Não Consegue Sair?
A verdade dói muitas vezes, nós nos prendemos a esses homens porque precisamos nos sentir úteis. Ser a "salvadora" nos dá uma sensação falsa de poder e controle. Enquanto você está ocupada consertando a vida dele, você não precisa olhar para as rachaduras da sua própria vida.
Mas entenda você não é uma oficina um relacionamento saudável é uma troca entre dois adultos funcionais, não uma adoção de um adulto por outro.
Para sair dessa torre, você precisa parar de carregar os tijolos. Aqui está como retomar a sua liberdade:
Pare de Amortecer as Quedas:
Deixe que ele sinta as consequências de sua própria inércia. Se ele não pagou a conta, deixe cortar. Se ele perdeu o prazo, deixe que ele lide com a frustração. O amadurecimento só nasce do desconforto.
Devolva a Responsabilidade:
Quando ele vier com o discurso de "coitadinho", responda com: "Eu sinto muito que você esteja passando por isso. Como você planeja resolver? Não ofereça a solução. Observe o que ele faz com o silêncio.
Recupere o Seu Tempo:
O tempo que você gasta consertando a vida dele é um tempo que você nunca mais terá para os seus sonhos, para os projetos de vida, para o seu descanso. Cada "sim" que você diz para a preguiça dele é um "não" que você diz para o seu futuro.
Aceite que Você Não Pode Mudá-lo:
O amor não cura quem não quer ser curado. Ele só vai descer da torre quando não houver mais ninguém subindo com o jantar.
O final feliz dessa história não é o momento em que ele "acorda" e se torna o príncipe dos seus sonhos. O final feliz é quando você olha para o espelho, reconhece a mulher incrível que você é e percebe que merece alguém que caminhe ao seu lado, não alguém que você precise carregar nas costas.
A porta da torre está aberta. Você só precisa soltar o peso que não é seu e caminhar em direção ao sol.
- Vanessa Costa Lima
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